Comentários acerca da aderência entre concreto de diferentes idades

Muitas pessoas têm me questionado acerca de que produto utilizar para garantir a aderência entre os materiais de recuperação e o concreto antigo. Posso dizer que a compatibilidade entre o material de recuperação e o concreto antigo não se dar em função da aplicação de algum produto de ponte de aderência – desde que os produtos sejam compatíveis quimicamente, por exemplo, cimento/cimento. A perda de aderência ocorre, geralmente, em função da retração que os materiais experienciam quando da hidratação do cimento, ou seja, o material de recuperação retrai, já que o concreto antigo, provavelmente já está maduro o suficiente e já passou pela maior parte da retração  a qual irá ocorrer durante a sua vida útil.

Quando as espessuras de recuperação são profundas, a indicação são os grautes ou microconcretos industrializados, que em sua maioria possuem retração compensada; quando as espessuras de recuperação são mais rasas, as argamassas de recuperação são a indicação, que se forem industrializadas –  geralmente é o que ocorre –  também possuem em suas composições, compensadores de retração. Agora, quando os volumes de material de recuperação são muito elevados, por questões econômicas, pode se lançar mão de concretos e argamassas moldadas in loco, e aí, dentre outras propriedades necessárias, existe a necessidade da incorporação de aditivos expansores, que compensem a retração desses materiais, geralmente, esses aditivos possuem altos teores de sulfatos e aluminatos de modo a expandirem através da formação da etringita.

Detalhe da forma de recuperação profunda

Detalhe da recuperação profunda

Detalhe da recuperação rasa

Já as pontes de aderência, agem no sentido de melhorar o contato entre o concreto antigo e o material de recuperação, não só em situações de recuperação estrutural, mas também na concretagem de elementos estruturais em períodos diferentes. A falha de preenchimento dos espaços de contato a serem preenchidos, causam as chamadas “juntas frias” que além de, estruturalmente serem um problema, também são um acesso aberto para a penetração de agentes agressivos à armadura.

Detalhe de “junta fria” de concretagem

Detalhe da aplicação de ponte de adetência a base cimentícia

A aderência entre materiais diferentes à base cimentícia se dá sob três aspectos, os químicos, os físicos e os mecânicos. A aderência química é tão maior quanto menor for o grau de hidratação do concreto antigo (sem esquecer das vias poliméricas dos materiais); a aderência física ocorre através da formação de “agulhas”, ou seja, a penetração micrométrica da pasta de cimento do material de recuperação na porosidade aberta do concreto antigo; e a aderência mecânica ocorre em função da resistência de fendilhamento entre os materiais (novo e antigo), face a rugosidade que aumenta a superfície de contato entre os materiais antigo e novo.

As pontes de aderência podem ser cimentícias ou resinosas (geralmente acrílico ou epóxi). As pontes resinosas geralmente são utilizadas em colagem estruturais ou reparos rasos, sem a necessidade de instalação de formas, porque esse material possui baixo pot life e a aplicação do material de reparo necessitaria ocorrer antes do endurecimento total da ponte de aderência. Isso porque, pós endurecimento os materiais resinosos não possuem aderência química com os materiais cimentícios (por razões óbvias), não possuem aderência física com os materiais cimentícios porque são pouco porosos, e quanto a aderência mecânica, também é dificultada, devido ao acabamento liso desses materiais. Já as pontes de aderência cimentícias possuem um tempo maior de espera para a aplicação dos materiais de recuperação, e basicamente, esses materiais “aplainam” o caminho para a aplicação dos materiais de recuperação, já que possuem uma consistência mais fluida que os materiais de recuperação, preenchendo melhor aqueles espaços mais difíceis e ainda, possuindo maior resistência, melhorando também a resistência das “agulhas” criadas.

Fábio Giovanni

Engenheiro civil formado pela Universidade Federal da Paraíba, Membro do IBRACON, Alconpat e ACI, publicou vários trabalhos científicos em congressos e simpósios nacionais e internacionais, na área de construção de edifícios, gestão e gerenciamento da construção civil e patologia das estruturas.

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Técnica de injeção de fissuras

Em virtude da última postagem, recebi muitas mensagens pelo direct solicitando maiores explicações sobre a tecnologia de injeção de fissuras nas estruturas de concreto armado. Então, farei esta postagem pra explicar um pouco melhor.   A técnica consiste basicamente em se aplicar os bicos de injeção, ora em furos realizados com brocas de diâmetro específico, ora aderidos sobre a superfície do concreto, espaçados estrategicamente no caminho (path) da fissura; vedar a fissura ou quaisquer outros vazios que possam estar conectados com as fissuras na região entre bicos (ou próximos deles) com uma resina tixotrópica, geralmente a epoxídica; aplicar (injetar) nos bicos, uma resina mais fluida, ou até materiais inorgânicos; escolher uma direção de aplicação mais adequada ao material adotado e mais adequada em função do grau de preenchimento da fissura que se deseje. (a) (b) (c) Fig. 1 – Detalhe da sequência de atividades (a) realização dos furos; (b) aplicação dos bicos de perfuração; (c) colmatação das fissuras com resina tixotrópica   Existem duas situações gerais em que a injeção é adotada como forma de recuperação. A primeira ocorre quando é necessário colmatar uma fissura que esteja submetida a um fluxo de algum fluido, ou esteja na possibilidade de ocorrer (em muros de arrimo ou contenções em contato com água). Nessas situações, é mais indicado a utilização de selantes como material de injeção, as resinas acrílicas e poliuretânicas e/ou a resinas poliuretânicas hidro expansivas. Caso o fluxo seja atual e contínuo, primeiramente, injeta-se a resina hidro expansiva e depois o selante de poliuretano. Nessas situações as fissuras podem possuir causa ainda ativa, ou seja, fissuras cuja causa ainda não foi sanada. Na segunda situação, o objetivo é reestabelecer a monoliticidade do elemento estrutural, de modo que as transferência de carregamento ocorra normalmente e a rigidez do elemento estrutural seja reestabelecida.

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Arquitetos Importantes

Nascido em Sandrio, Italia no ano de 1891, Pies Luigi Nervi viveu sua infância entre paisagens cheias de geleira e caminhando entre picos nevados. Foi um jovem prodígio fascinado pela matemática e pelo cálculo convencional e isso deu seguimento a sua formação fazendo-o se inscrever para engenheiro civil na Bolonha. Uma vez concluída sua carreira, em 1913, o engenheiro se dedica a construção de fabricas e pontes de onde viajava constantemente entre Bolonha e Florença, acumulando experiências e conhecimentos. Os dias passaram entre suas viagens quando seus olhos foram abertos e toda a Itália encontrava-se sob a mudança no jeito de viver e sobreviver, estava se iniciando a Primeira Guerra Mundial. Ainda assim, essa infeliz situação não freou o trabalho de Nervi. Alistado no corpo de engenheiro, combateu de frente, onde sua engenhosidade e criatividade foram significativas para consertar pontes e construir caminhos essenciais em meio a Guerra. Dois anos depois de concluída a primeira Guerra mundial, fundou seu próprio escritório onde começou a ganhar fama e prestigio e teve seu primeiro grande feito, a construção do Cinema-Teatro Angus, uma sala onde se fez presente grandes produções cinematográficas de todo o mundo. Ao final do trabalho, ficou claro que os telhados seriam a sua marca registrada. A construção espetacular mostrava uma abertura para ficar no centro da obra onde um problema matemático complexo era resolvido. Em 1929, vence concurso de construção que lhe permitiu construir o estádio Municipal de Florença, também conhecido como Stadio Comunale Artemio Franchi. Ao concluir a obra, em 1932, as pessoas ficaram chocadas com a construção e com sua forma oval e assimétrica onde se destacava o teto tribuna. O convés se estendia para a frente, apoiando longas vigas de concreto em formas de X e que se escondiam entre as arquibancadas. Isso deixou um precedente

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Arquitetos Importantes

Eugène-Emmanuel Viollet-Le-Duc nasceu na capital Francesa no dia 27 de janeiro de 1814, vindo de uma família burguesa que cultivava a pratica das artes e cultura, iniciou sua carreira na área da arquitetura e no desenho no ano de 1830, onde seus estudos e experiencia vasta, lhe proporcionaram um domínio sobre estilos arquitetônicos, técnicas construtivas e sobre a arquitetura da idade média. Quando terminou os estudos, optou por aprender a pratica da arquitetura, Indo trabalhar no ateliê dos amigos Jean-Jacques Huvé e Achille Leclère, ao invés de estudar na (École des Beaux-Arts) Escola de Belas Artes, por achar que se tratava de uma escolha de estudo muito arcaica. Para aumentar o interesse e experiencia pela arquitetura medieval, decidiu fazer uma viagem pela Itália e França, aprofundando o conhecimento sobre a arquitetura Clássica e Grega. Sua carreira se consolidou principalmente na área do restauro, mais precisamente em catedrais e castelos medievais, se tornando um dos principais integrantes da comissão encarregada da preservação dos monumentos históricos. Em 1836, participou da restauração em Saint Chapelle, mais tarde considerado pelo próprio Viollet como um laboratório experimental. Seus trabalhos e experiencia se somaram com o passar dos anos com um currículo bastante vasto, podendo-se destacar a Igreja de Vézelay, Notre-Dame de Paris, Carcassone, Saint-Sernin de Toulouse, e Amiens. No ano de 1849 Viollet-Le-Duc e Mérrimée, publicaram uma introdução técnica sobre a restauração dos edifícios diocesanos. Texto considerado fundamental, tendo grande influência na formação de profissionais da área. No inicio de tudo, sua função se limitava apenas em restaurar as formas originais dos monumentos. Porém, mais tarde, passou a acrescentar aos edifícios elementos de sua própria autoria, passando a ser visto com reservas por arquitetos e arqueólogos do século XX. Foi nomeado inspetor geral dos edifícios diocesanos em 1853, ficando encarregado do resguardo de várias igrejas

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