Qual a importância da manutenbilidade de um sistema, segundo os critérios da norma de desempenho?

A NBR 15.575/2013 – Edificações Habitacionais, mais comumente conhecida por Norma de Desempenho, vem causando grande alvoroço entre construtores, engenheiros e arquitetos da Indústria da construção civil, principalmente no setor habitacional.  Todos os empreendimentos de cunho habitacional, cujos alvarás de construção foram emitidos a partir de junho de 2013, estão submetidas aos critérios impostos por essa Norma.

A origem principal dessas discordâncias, encontra embasamento no conceito primordial da norma, originária das filosofias japonesas de qualidade total. Tais preceitos, demostram que existe a necessidade de responsabilidade solidária entre os envolvidos nos processos de concepção, fabricação, construção, uso e operação das edificações habitacionais. No entanto, algumas interpretações equivocadas, que equipararam as normas de desempenho com as normas prescritivas* em vigor, causaram muita confusão na correta implementação das atividades necessárias ao cumprimento dos critérios desse documento.

NBR 15.575/2013 nasceu do consenso da sociedade, acerca da necessidade da busca de soluções para transformar e qualificar o mercado habitacional brasileiro, cujos entes envolvidos ou não no processo de produção e operação das edificações foram partícipes das reuniões de estudo e definição da norma (Cbic/Sinduscons, Associações de Engenheiros e Arquitetos, IPT, Secovi, CEF, Entidades envolvidas com o meio ambiente, entre outros).

A norma não foi criada com o intuito de complicar ou até de aumentar as responsabilidades dos atores envolvidos no processo produtivo das obras, pelo contrário, um dos objetivos das normas de desempenho foi de determinar e dividir as responsabilidades das operações de construção e uso das edificações, que antes da publicação, não existiam, e eram decididas por longos litígios, sendo cada caso tratado de maneira específica.

Dessa forma, alguns requisitos tiveram que ser atribuídos, com o intuito de garantir a correta divisão das responsabilidades entre, projetistas, construtores e proprietários dos imóveis, sendo um dos principais critérios adotados pela NBR 15.575/2013 – Edificações Habitacionais — Desempenho Parte 1: Requisitos gerais, a manutenibilidade.

A manutenibilidade, termo pouco usado na construção civil até então, consiste em qualificar um sistema qualquer de uma edificação quanto à sua facilidade de manutenção. Objetivamente, quando um sistema de uma edificação, necessita que outro sistema seja acessado ou removido, a fim de que sejam realizadas as operações de manutenção, diz-se que esse sistema não possui boa manutenibilidade.

Como exemplo, podemos apresentar o sistema de impermeabilização de uma laje descoberta. A opção 1 seria a impermeabilização da laje com manta asfáltica, e a opção 2 um sistema de impermeabilização com uma membrana poliuretânica de alto desempenho.

Na opção 1, após a impermeabilização, seria aplicada uma proteção mecânica e ainda um revestimento cerâmico como acabamento. Na opção 2, a adoção da membrana de poliuretano seria aplicada diretamente sobre a laje desempenada, ou sobre um contrapiso adequado. Na opção 1, para que fosse realizada a manutenção do sistema impermeabilização da laje, os sistemas de proteção mecânica e de revestimento cerâmico teriam que ser demolidos. Na opção 2, essa remoção não seria necessária, já que a membrana citada serviria de revestimento e impermeabilização, dessa forma, a opção 2 estaria enquadrado perfeitamente dentro do critério de manutenibilidade estabelecido pela NBR 15.575/2013-1.

Qual importância desse fato?

A importância reside no fato de que a norma de desempenho NBR 15575/2013 – parte 1, também define o critério de vida útil e garantia, e que esses critérios estão atrelados à manutenção do sistema, ou seja, a vida útil definida para um sistema, só poderá ser atingida, caso as operações de manutenção ocorram na forma e na periodicidade pré-determinadas. Como é possível então, garantir a vida útil de um sistema que necessite de manutenção, e que essas operações venham a requerer a demolição ou remoção de outros sistemas?

Para responder à questão anterior, voltaremos ao exemplo acima na opção 1, cujo sistema de impermeabilização da laje descoberta seja a manta asfáltica. O anexo C da NBR 15575/2013-1, determina que a Vida Útil de Projeto Mínima (VUP) para o sistema de impermeabilização embutido seja de 20 anos, e para os pisos cerâmicos externos seja de 13 anos. Caso o fabricante da manta asfáltica exija, algumas operações de manutenção periódicas, para garantir a vida útil de produto, como seria possível acessar essa impermeabilização e realizar essas operações sem remover o revestimento cerâmico? E se a periodicidade dessas operações, exigidas pelo fabricante, fossem inferiores a 13 anos? A resposta é simples: O CONSTRUTOR TERIA QUE GARANTIR O SISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO POR TODA A VIDA ÚTIL DE PROJETO, INDEPENDENTE DA MANUTENÇÃO, JÁ QUE O CONDOMÍNIO NÃO PODERÁ REALIZÁ-LA SEM DEMOLIR O SISTEMA REVESTIMENTO CERÂMICO.

*Norma Prescritiva: normas que prescrevem procedimentos operacionais

Fábio Giovanni

Engenheiro civil formado pela Universidade Federal da Paraíba, Membro do IBRACON, Alconpat e ACI, publicou vários trabalhos científicos em congressos e simpósios nacionais e internacionais, na área de construção de edifícios, gestão e gerenciamento da construção civil e patologia das estruturas.

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Eugène-Emmanuel Viollet-Le-Duc nasceu na capital Francesa no dia 27 de janeiro de 1814, vindo de uma família burguesa que cultivava a pratica das artes e cultura, iniciou sua carreira na área da arquitetura e no desenho no ano de 1830, onde seus estudos e experiencia vasta, lhe proporcionaram um domínio sobre estilos arquitetônicos, técnicas construtivas e sobre a arquitetura da idade média. Quando terminou os estudos, optou por aprender a pratica da arquitetura, Indo trabalhar no ateliê dos amigos Jean-Jacques Huvé e Achille Leclère, ao invés de estudar na (École des Beaux-Arts) Escola de Belas Artes, por achar que se tratava de uma escolha de estudo muito arcaica. Para aumentar o interesse e experiencia pela arquitetura medieval, decidiu fazer uma viagem pela Itália e França, aprofundando o conhecimento sobre a arquitetura Clássica e Grega. Sua carreira se consolidou principalmente na área do restauro, mais precisamente em catedrais e castelos medievais, se tornando um dos principais integrantes da comissão encarregada da preservação dos monumentos históricos. Em 1836, participou da restauração em Saint Chapelle, mais tarde considerado pelo próprio Viollet como um laboratório experimental. Seus trabalhos e experiencia se somaram com o passar dos anos com um currículo bastante vasto, podendo-se destacar a Igreja de Vézelay, Notre-Dame de Paris, Carcassone, Saint-Sernin de Toulouse, e Amiens. No ano de 1849 Viollet-Le-Duc e Mérrimée, publicaram uma introdução técnica sobre a restauração dos edifícios diocesanos. Texto considerado fundamental, tendo grande influência na formação de profissionais da área. No inicio de tudo, sua função se limitava apenas em restaurar as formas originais dos monumentos. Porém, mais tarde, passou a acrescentar aos edifícios elementos de sua própria autoria, passando a ser visto com reservas por arquitetos e arqueólogos do século XX. Foi nomeado inspetor geral dos edifícios diocesanos em 1853, ficando encarregado do resguardo de várias igrejas

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